Presidenciais 2026 - os candidatos

 


Divido os onze candidatos em três categorias: os democratas, os autoritários e os outros.

Os autoritários: António Filipe (PCP), André Ventura (Chega), Catarina Martins (BE), Jorge Pinto (L) e André Pestana (ex-PCP, ex-BE, ex-MAS) não são exactamente democratas. As ideologias que os inspiram são irreconciliáveis com a separação de poderes, a liberdade de expressão e outros aspectos fundamentais do Estado de Direito Democrático. Se algum destes candidatos se visse no poder, nenhum de nós poderia prever a data e a forma das próximas eleições.

Os democratas: Henrique Gouveia e Melo (Almirante) tinha porte presidencial e uma imagem de competência, no entanto depreciou a sua reputação ao embarcar numa campanha negativa com truques e insinuações. Luís Marques Mendes (PSD) seria o que tem mais experiência governativa e quem conhece melhor as exigências do cargo presidencial, porém o conselho que prestou a empresas nos últimos anos não teve bom acolhimento popular e a sua campanha perdeu gás. João Cotrim de Figueiredo (IL) fez uma campanha inteligente nas redes e foi crescendo nas intenções de voto, mas quando a sua integridade moral foi posta em causa cometeu vários erros e não aguentou o stress test. António José Seguro (PS) tem sido uma presença simpática, mas que ideias tem? Não retive uma.

Outras candidaturas: Humberto Correia é algarvio e, vestido de D. Afonso Henriques, corre o país a falar de habitação, emigração e pobreza. Manuel João Vieira, artista plástico e músico dos velhos Ena Pá 2000, anda por Campo de Ourique e pelos meios de comunicação social com a sua intervenção artística: uma sátira à política em geral e às promessas populistas muito em particular. Quando um candidato promete uma coisa, Vieira cobre a promessa e aumenta-a para o dobro. Dá para sorrir e também para pensar.

A campanha eleitoral é um campo de batalha de onde ninguém sai ileso. Quem ataca perde pontos e mais pontos perde quem é atacado; perde interesse quem é vago e perde apoios quem vinca uma posição. Todos perdem, e o perdedor que menos perder fica Presidente. No fim de contas, ganhamos nós e a democracia que nos permite escolher alguém para representar o país. Aí, será tempo de descomprimir, restaurar fracturas deixadas pela tensão das discussões e então voltar às nossas vidas.

Comentários